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Diário de prática docente e a luta antirracista

Isso de ser professora mexe muito comigo. Mesmo que passe apenas três horas por semana com meus alunos, em uma turma regular, sinto um carinho imenso por eles. Penso sempre neles e no que possa os interessar. Adoro acompanhar as suas conquistas e o processo de aprendizagem. Mais que isso: adoro conhecer as pessoas extraordinárias que eles são. Mathias é um dos meus alunos queridos deste semestre, "l'un des chouchoux de la maîtresse". Ele escreveu este lindo texto de reflexão sobre a época em que vivemos. Mais que recomendar a leitura, recomendo que sigam este escritor maravilhoso: 


Aproveitei a aula de quarta, após sugerir aos alunos a leitura em casa do texto do colega de classe, para passar um vídeo do Brut, Une vie : Aimé Césaire. Isso na minha turma de módulo 1 do francês. Sim! É possível, desde o início do ensino-aprendizagem do FLE, inserir na aula documentos autênticos ligados a assuntos atuais e/ou de interesse dos alunos. Assuntos vitais para nossa vida em sociedade, para que os alunos percebam que a aprendizagem de uma nova língua estrangeira está também ligada aos aspectos da vida deles aqui, no nosso contexto brasileiro. Aimé Césaire, o inventor da negritude, é de grande importância na formação de cidadãos antirracistas. 

Para mim, não basta ser professora e ensinar a língua que amo e que escolhi ensinar. Considero fundamental contribuir para a formação de cidadãos antirracistas. E contribuo como posso, encontrando brechas no livro didático e abrindo janelas para as questões que circundam a sala de aula. Espero conseguir ir sempre além. E espero que meus alunos estejam ao meu lado nessa luta.

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