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Diário de prática docente e a observação das aulas

Como prof, adoro assistir às aulas de outros profs plus expérimentés, mais experientes. Sempre aprendo muito com eles e consigo identificar estratégias adotadas para o trabalho com as sequências didáticas. Tenho sei lá quantos cadernos de formações e de anotações de aulas de outros profs. Ensinar é, antes de tudo, aprender e é preciso aprender a ensinar.

Dito isso, chegou o dia de eu ter minha aula observada. Quando observei as aulas de outras profs com mais experiência que eu, mas ainda assim menos expérimentées que a minha supervisora da USP (que já foi coordenadora da Aliança Francesa de São Paulo e que leciona na graduação e na pós há mais de uma década), eu percebi um certo incômodo pela minha presença. Sempre fui muito bem recebida, tanto por essas profs quanto por seus alunos. Mas era nítida uma certa timidez por ter outra prof (no caso, eu) observando a prática docente delas.

Vivi até a semana passada tendo essa experiência só pelo lado de quem observa, de quem está na sala de aula para aprender e para observar outro profissional. Mas chegou o dia de observarem a minha aula. É claro que desesperei um pouco ao saber que a minha coordenadora estaria presente para avaliar meu trabalho e a qualidade da minha aula. Meus alunos já fazem isso todos os dias, na verdade, mas ter sua chefe direta em sala de aula exige um bocado de jogo de cintura para não mostrar aos alunos que eu estava apreensiva com essa avaliação.

Verdade seja dita: em determinado momento da aula, eu me esqueci completamente que havia uma pessoa avaliando meu desempenho. Voilà l'une des avantages des cours sur Zoom! Não é possível passar desapercebida a presença de outro ser humano em uma aula presencial porque a pessoa está lá, diante de nossos olhos. Mas on-line, com micro e câmera desligados, em meio aos meus alunos sempre muito participativos, é fácil me esquecer que tem mais alguém lá.

Hoje, tive o retorno com ela da minha aula e estou bem feliz com o resultado. Ela ainda precisará observar minha prática docente mais uma vez, pois ela acompanhou uma aula minha que era continuação da anterior e que não continha alguns pontos que precisam ser avaliados.

Eu, que adoro observar aulas alheias e não perco uma oportunidade de ver como outros profs ensinam, tive minha primeira experiência do outro lado. Posso dizer que minha autocrítica foi bem mais severa que os comentários que ela fez sobre minha aula, todos muito construtivos. Desde que comecei a ensinar francês, tenho constantemente que lidar com o que não sei e de ficar em paz com isso. Antes, eu ficava muito mal por não saber responder a uma pergunta. Hoje, peço muito mais ajuda do que antes, procuro aprender o que não sei e tento não prever tudo o que meus alunos possam vir a me perguntar (laisser la place aux imprévus). Ser professora me ensina constantemente a ser mais tolerante e paciente comigo mesma e com minha atuação. Me ensina a separar o joio do trigo e a aproveitar esses momentos de discussão da minha prática docente para meu crescimento profissional e pessoal.

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