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Daniel Pennac e os direitos imprescritíveis do leitor

A minha graduação em Letras foi praticamente toda feita em francês, língua escolhida para minha habilitação. Eu não sei dizer o porquê da minha decisão por essa língua, sendo que para mim seria mais racional ter optado pelo italiano, que aprendi a falar aos 6 anos de idade e sou completamente apaixonada até hoje. Mas o francês me fascina de uma forma que não sei explicar. Uma das possíveis razões encontra-se na literatura francesa. Ler em francês é um dos maiores prazeres que tenho nesta vida. 
Dentre essas muitas leituras que já fiz, a obra Comme un roman, de Daniel Pennac, é uma dessas delícias que marcaram minha memória de boas lembranças. A leitura desse livro é bem leve e descontraída e superindico para quem está interessado em ler em francês com fluidez.



Pennac listou nesta obra os direitos imprescritíveis do leitor, os quais traduzi:

1. O direito de não ler.
2. O direito de pular páginas.
3. O direito de não terminar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler qualquer coisa.
6. O direito ao bovarismo, ou direito de se esvair da realidade.
7. O direito de ler em qualquer lugar.
8. O direito de ler frases soltas no livro.
9. O direito de ler em voz alta.
10. O direito de nos calar.

Esses dez direitos resumem-se em um único dever: nunca zombar de quem não lê se você deseja que essa pessoa leia um dia.



Confira a obra completa e excelente leitura!

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